SÁBADO, 02 DE AGOSTO DE 2008.
Poucos e bons
Com a taxa de fecundidade em 1,8 filho por mulher, a população brasileira cresce mais devagar. Isso melhora a renda e o padrão de vida no país.
OS SEM-IRMÃOS (foto:Roberto Setton)
As crianças da foto acima freqüentam a mesma creche, num bairro de classe média de São Paulo. Todas são filhas únicas. Asantewaa Santos, Narayana Dourado, Luis Alberto Araújo e Gustavo Silva fazem parte de uma nova geração de brasileiros que nascem em famílias bem menores que as de seus pais e avós. "Um segundo filho implicaria mais gastos e atenção", diz a estudante Cleude de Jesus (ao fundo, à esq.), mãe de Asantewaa, de 1 ano e 8 meses. "Sinto por minha filha não ter a cumplicidade de um irmão, mas acredito que ela construirá esse tipo de relação com os amigos"
Durante muito tempo os brasileiros conviveram com uma ameaça nascida nos boletins dos censos demográficos. O rápido crescimento da população do país, que aumentou dez vezes entre o início e o fim do século XX, apontava para um futuro em que faltariam alimentos, moradia e infra-estrutura para tanta gente. A bomba populacional foi um risco real para o Brasil. Foi ela que sustentou uma infinidade de apostas sombrias sobre o país. Sem que se prestasse muita atenção, porém, a bomba foi perdendo força à medida que um número cada vez maior de mulheres escolheu ter menos filhos. Essa tendência começou nos anos 70. Agora, quase quarenta anos depois, a bomba populacional acaba de ser oficialmente desativada. É uma grande notícia para os brasileiros. Uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostra que a taxa de fecundidade do país, ou seja, a quantidade de filhos que cada brasileira gera, em média, chegou a 1,8 – contra 6,3 nos anos 60. A taxa de fecundidade é o fator que mais influencia a taxa de crescimento populacional de um país, juntamente com a taxa de mortalidade e a migração. Quando a taxa de fecundidade de um país cai abaixo do patamar de 2,1, a população cresce em ritmo cada vez mais lento e, depois de duas ou três décadas, passa a diminuir de tamanho. É o que vai ocorrer com o Brasil. Todos os países desenvolvidos, em algum ponto de sua trajetória, tiveram quedas expressivas em seus índices de natalidade. Na Europa Ocidental, nos Estados Unidos e nos países ricos da Ásia, as taxas de fecundidade são hoje iguais ou menores do que 2,1. A taxa de fertilidade brasileira é agora igual à da China, que há tempos limita o número de filhos a um por família. A quantidade de crianças que as mulheres dão à luz tem impacto direto na economia e na sociedade de uma nação. São muitas as razões que levam os casais de países ricos a ser mais propensos a formar famílias pequenas. A adesão das mulheres à competitividade no trabalho ou na vida acadêmica é certamente uma delas. O certo é que, hoje, só as nações muito pobres, como as da África Subsaariana e o Afeganistão, com renda per capita miserável, apresentam altas taxas de fecundidade e de crescimento populacional.

ESCOLA PARTICULAR E FÉRIAS NA BAHIA (foto:Oscar Cabral )
Moradora da favela do Vidigal, a cabeleireira carioca Rosângela Sousa Freire, 40 anos, nasceu em uma família grande. Sua avó teve 21 filhos e sua mãe, cinco. "Ao contrário do que ocorreu com elas, fui instruída a prevenir uma gravidez indesejada desde cedo", conta. Ela e o marido, o vendedor Roberto Freire, de 45 anos, começaram a namorar quando Rosângela tinha apenas 14 anos. O único filho do casal, Douglas, nasceu há dez. "Resolvemos ter apenas um, pois não poderíamos pagar escola ou viagem de férias para mais de um filho".
(fonte: VEJA - Edição 2071 - 30 de julho de 2008 – Especial: Demografia)
FÓRUM:
01. Como podemos explicar essa queda na taxa de fecundidade que vem ocorrendo, não apenas no Brasil, mas com a população de quase todo o mundo?
02. Quais as conseqüências desse fato na área econômica?
03. Qual o risco da continuidade dessa queda?